"DONA DOIDA - Adélia Prado"



(Vídeo: "DONA DOIDA" - Interpretação Rose Clair Brasil - CIDAN 2007)


"DONA DOIDA"

Uma vez, quando eu era menina, choveu grosso
com trovoadas e clarões, exatamente como chove agora.
Quando se pôde abrir as janelas,
as poças tremiam com os últimos pingos.
Minha mãe, como quem sabe que vai escrever um poema,
decidiu inspirada: chuchu novinho, angu, molho de ovos.
Fui buscar os chuchus e estou voltando agora,
trinta anos depois. Não encontrei minha mãe.
A mulher que me abriu a porta, riu de dona tão velha,
com sombrinha infantil e coxas à mostra.
Meus filhos me repudiaram envergonhados,
meu marido ficou triste até a morte,
eu fiquei doida no encalço.
Só melhoro quando chove.

Adélia Prado



O texto acima foi extraído do livro "POESIA REUNIDA", Editora Siciliano - 1991, São Paulo, página 108. Se você gostou do texto e quer saber mais sobre Adélia Prado clique AQUI e acesse a Biografia dela do site RELEITURAS. Já a interprete do texto é a atriz e cantora Rose Clair Brasil, para saber mais sobre seus trabalhos acesse seu blogue, clique AQUI.

"A turma do CHAVES"

(Foto: "A turma do CHAVES" - Divulgação)

- “Isso, isso, isso! È zás, é zás, é zás... Pi-pi-pi-pi-pi... Mas ninguém tem paciência comigo...”
Acho que difícilmente alguém não reconheceria as falas acima, tratam-se de alguns dos bordões de CHAVES, personagem interpretado pelo ator, escritor, comediante, dramaturgo, compositor e diretor mexicano Roberto Gómez Bolaños e um incontestável sucesso internacional.
Seriado que fez e continua fazendo parte da infância de muitas crianças, "CHAVES" conquista o publico por suas piadas engraçadas, extremamente inocentes e por sua simplicidade. Eu fui uma dessas crianças e lhe confesso que sinto falta daquele tempo! Como era divertido ver aqueles adultos serem tão infantis, tão como nós mesmos, acho que essa era a magia, a criança se via nos personagens do seriado, se sentia o próprio Chaves, a Chiquinha, o Quico, via seus pais ali, como Dona Florinda, Senhor Madruga, sua professora como Bruxa do 71. (Risos)
Quem não achava um barato ver o Quico chorando naquela parede em especifico, sua mãe, Dona Florinda dizendo: “Vamos tesouro, não se misture com essa gentalha!”? Quem nunca repetiu pelo menos uma vez: “Gentalha, gentalha! Puuffff!”? (Risos)
Mesmo que seja contra nossa vontade? (Risos) Na irônia, que todos sabemos, trás no fundo de um pingo de verdade... A infância é demais! Ah! Sem falar na Chiquinha com seu cabelo engraçado, suas pintinhas e o choro, filha do 'caloteiro' Seu Madruga que vivia fugindo do Senhor Barriga, o cobrador de aluguéis, dono da vila. Quem não torcia pelo Chaves, não ria do Quico, tão ingênuo...




(Vídeo: Abertura de "CHAVES" - Brasil)


TRAJETÓRIA


Muitos de nós nos perguntamos sobre como surgiu o seriado, então abaixo resumi trechos do livro “CHAVES DE UM SUCESSO” de Pablo kaschnner. O livro é o trabalho de monografia de final de curso de Pablo sobre Chespirito (apelido de Bolanos, o Chaves).
Nele tem muitas coisas interessantes sobre essa época que lembramos com tanto alegria, como por exemplo a informação de que o Chaves foi inspirado em um quadro do programa do Chespirito.
(Foto: "A turma do CHAVES" - Divulgação)

1971 – Em 1971 o quadro de Bolanos vira um seriado, com apenas 02 personagens; o Chaves e Seu Madruga.
1972 – Surgem os outros personagens da trupe que assumem de vez aquelas características que fazem tanto sucesso, como por exemplo o bóbis usado pela Dona Florinda, já que eles não eram usados sempre por ela.
1974 - Em 1974 a atriz que interpretava Chiquinha, Maria Antonieta de Las Nieves sai do seriado para gravar um programa de variedades. Surgem 03 novos personagens, para esconder o desfalque: Pópis, Nhonho e o professor Girafales.
1975 - Em 1975 a personagem Chiquinha volta ao seriado, o programa de Maria Antonieta de Las Nieves não fez sucesso.
1977 – O seriado está em seu alge, seus atores já são celebridades. Com maiores investimentos, começam episódios musicais, além das férias em Acapulco e do especial de Natal na casa do seu Barriga.
1979 – Em 1979 o atores que interpretavam o Quico e o Senhor Madruga, Carlos Vilagrán e Ramóm Valdés, respectivamente, decidem sair do seriado.
1980 – Com o desfalque em 1980, Chaves volta a ser um quadro do programa Chespirito. Então tentando reanimar novamente o seriado, Bolanos cria o restaurante da Dona Florinda, e os personagens; Jaiminho (Carteiro) e Dona Neves (Avó da Chiquinha).
1981 - Em 1981 seu Madruga volta e novos episódios são gravados até 1983, quando o seriado termina, sem episódio final.
1983 - Ramóm Valdés (Seu Madruga) abandona o seriado de vez devido á um diagnóstico de câncer.
1988 – Morre Ramóm Valdés (Seu Madruga), vítima de cancer de pulmão causado pelo fumo excessivo. Carlos Vilagrán (Quico), já não se dá bem com Bolanos que decide voltar a gravar o seriado. A escola é o pano de fundo, Quico é substituído por Nhonho e o Seu Madruga por Jaiminho.
1993Em 1993 chega ao fim o seriado.
1994 – Em 1994 morrem a atriz Madrilenha Angelines Fernández (Dona Clotilde), vítima de câncer de pulmão causado pelo fumo excessivo. E o ator Raul Chato Padilla (Carteiro Jaiminho) vítima de problemas de saúde relacionados á diabetes.
1995 - Em 1995 chega ao fim o programa Chespirito.


Da turma quase todos ainda vivem, Roberto Gómez Bolãnos (CHAVES) hoje com 82 anos vive com sua esposa Florinda Meza Garcia (DONA FLORINDA) que está com 62 anos. Durante e após o fim da série varias brigas surgiram e feridas perduram até hoje supostamente motivadas por questões legais sobre o direito á interpretação e autoria dos personagens após a série, já que muitos atores fazem shows e os utilizam artisticamente como é o caso do Quico no "Circo do Quico", porém mesmo com as brigas e feridas ainda hoje o seriado tem sido em muitos paises um grande sucesso e continua fazendo fãs por todo o mundo!

"Humor de Primeira"

(Foto: "HUMOR DE PRIMEIRA", com Rossicléa e convidados - Lupus Bier)


Que Fortaleza (CE) é a capital do humor não tenha duvida, com uma cultura riquissíma, uma gente hospitaleira e uma estrurura para o turismo fantástica, passar por Fortaleza e não assistir á um show com humoristas cearenses é tão grave quanto deixar de visitar a praia de Canoa Quebrada (Aracati - CE).
Dia 25/02/2012 estava em Fortaleza e fui conferir o show "HUMOR DE PRIMEIRA" com a humorista Rossicléa e convidados.


(Vídeo: Parte do elenco de "HUMOR DE PRIMEIRA" em apresentação na Lupus Bier - 25/02/2012)


Com apresentações de artistas locais com reconhecimento nacional, o show "HUMOR DE PRIMEIRA" tem em seu elenco nomes como o de Adamastor Pitaco, Hiran Delmar, Titela, Alex Nogueira, Anderson Justus, Luana do Crato, Tirullipá, Rossicléa e Papudim, integrante do "Quarteto em Rir", campeão do "QUEM CHEGA LÁ" do Faustão.

Com excelente qualidade, achei o show fantástico! HUMOR DE PRIMEIRA é um mix de estilos que vão desde imitações de cantoras como Maria Bethânia, Alcione e Fafá de Belém, até numeros de Stand-Up bem ao estilo cearense, com muita piada, pornografia e sarro!
Os shows acontecem na Lupus Bier ás sextas-feiras e sabados, o ingresso custa R$ 34,90 e dá direito a um jantar com comida típica, pizza e macarrão, preparados na hora, além é claro de um show de forró pé de serra que é a cara do Ceará!
Passei semanas rindo só ao lembrar das piadas contadas no show que aconselho com toda certeza! Se você se interessou e quer saber mais, acesse o site da Lupus Bier, clique AQUI.


FICHA TÉCNICA:
Elenco: Adamastor Pitaco, Alex Nogueira, Hiran Delmar, Anderson Justus, Luana do Crato, Tirullipá, Rossicléa, Papudim e grande elenco.
Apresentações: Sextas-feiras e sabado.
Endereço: R. dos Tabajaras, 340 - Praia de Iracema Fortaleza - CE, 60060-510.
Telefone: (0xx)85 3219-2829
Ingresso: R$ 34,90

"Abril Despedaçado"

Direção de Walter Salles,

Com José Dumont, Rodrigo Santoro, Rita Assemany, Everaldo Pontes, Othon Bastos e grande elenco. (Brasil/2001)




(Vídeo: "ABRIL DESPEDAÇADO" - Direção Walter Salles - Parte 01 de 07)



(Vídeo: "ABRIL DESPEDAÇADO" - Direção Walter Salles - Parte 02 de 07)



(Vídeo: "ABRIL DESPEDAÇADO" - Direção Walter Salles - Parte 03 de 07)



(Vídeo: "ABRIL DESPEDAÇADO" - Direção Walter Salles - Parte 04 de 07)



(Vídeo: "ABRIL DESPEDAÇADO" - Direção Walter Salles - Parte 05 de 07)



(Vídeo: "ABRIL DESPEDAÇADO" - Direção Walter Salles - Parte 06 de 07)



(Vídeo: "ABRIL DESPEDAÇADO" - Direção Walter Salles - Parte 07 de 07)

Em abril de 1910, na geografia desértica do sertão brasileiro vive Tonho (Rodrigo Santoro) e sua família. Tonho vive atualmente uma grande dúvida, pois ao mesmo tempo que é impelido por seu pai (José Dumont) para vingar a morte de seu irmão mais velho, assassinado por uma família rival, sabe que caso se vingue será perseguido e terá pouco tempo de vida. Angustiado pela perspectiva da morte, Tonho passa então a questionar a lógica da violência e da tradição. Inspirado no romance Prilli i Thyer (Abril Despedaçado), do escritor albanês Ismail Kadaré essa é uma daquelas produções que deixam marcas, sem duvida alguma um excelente e valioso filme nacional.

ELENCO:
José Dumont, Rodrigo Santoro, Rita Assemany, Luiz Carlos Vasconcelos, Ravi Ramos Lacerda, Flavia Marco Antonio, Everaldo Pontes, Othon Bastos.

FICHA TÉCNICA:
Gênero: Drama
Diretor: Walter Salles
Duração: 1h 35mn
Ano de Lançamento: 2001
País de Origem: Brasil
Idioma do Áudio: Português

"Velha História - Mário Quintana"

Do poema "Velha História" de MÁRIO QUINTANA, um filme de Claudia Jouvin, com narração de Marco Nanini.



(Vídeo: VELHA HISTÓRIA - Mário Quintana)


"Era uma vez um homem que estava pescando, Maria. Até que apanhou um peixinho! Mas o peixinho era tão pequenininho e inocente, e tinha um azulado tão indescritível nas escamas, que o homem ficou com pena. E retirou cuidadosamente o anzol e pincelou com iodo a garganta do coitadinho. Depois guardou-o no bolso traseiro das calças, para que o animalzinho sarasse no quente. E desde então, ficaram inseparáveis. Aonde o homem ia, o peixinho o acompanhava, a trote, que nem um cachorrinho. Pelas calçadas. Pelos elevadores. Pelo café. Como era tocante vê-los no "17"! o homem, grave, de preto, com uma das mãos segurando a xícara de fumegante moca, com a outra lendo o jornal, com a outra fumando, com a outra cuidando do peixinho, enquanto este, silencioso e levemente melancólico, tomava laranjada por um canudinho especial... Ora, um dia o homem e o peixinho passeavam à margem do rio onde o segundo dos dois fora pescado. E eis que os olhos do primeiro se encheram de lágrimas. E disse o homem ao peixinho: "Não, não me assiste o direito de te guardar comigo. Por que roubar-te por mais tempo ao carinho do teu pai, da tua mãe, dos teus irmãozinhos, da tua tia solteira? Não, não e não! Volta para o seio da tua família. E viva eu cá na terra sempre triste!..." Dito isso, verteu copioso pranto e, desviando o rosto, atirou o peixinho n’água. E a água fez redemoinho, que foi depois serenando, serenando... até que o peixinho morreu afogado..."
(Quintana, 1976, p. 105)

FICHA TÉCNICA:

Direção: Claudia Jouvin
Narração: Marco Nanini
Equipe/Produção: Felipe Vellozo, Lia Rezende, Maria Carneiro da Cunha.
Fotografia: Paulo Camacho
Animação: Pedro Luá, Claudia Jouvin
Cenários: Denyze Moreira, Claudia Jouvin
Bonecos: Claudia Jouvin
Assistente de Direção: Pedro Modesto
Montagem: Luis Ratts
Storyboards: Léo Lima
Final Cut: Samuel Nagy
Colorista (Mega): Herbert Marmo
Supervisão de Imagem: Léo Hallal
Transfer: Kinetoon
Trilha e Arranjos: Santa Marta
Musicos: Alexandre Bittencourt (Flauta),Fernando Duarte (Violão Sete Cordas), Santa Marta (Bandolim)

"Simplesmente Eu, Clarice Lispector"



(Foto: "SIMPLESMENTE EU, CLARICE LISPECTOR" - Divulgação)

Vencedora da 22ª edição do Prêmio Shell de Teatro (05/04/2010) na categoria de "Melhor Atriz", Beth Goulart apresentou em 2010 um trabalho cuidadosamente minucioso ao dar vida á Clarice Lispector na peça "SIMPLESMENTE EU; CLARICE LISPECTOR".
Pela atuação, além do prêmio Shell, ela também foi premiada com o prêmio APTR Rio, concorrendo com Fernanda Montenegro e Marília Pera, na mesma ocasião "In on it", espetáculo do qual já falamos AQUI, conquistou 03 prêmios; melhor espetáculo, melhor direção e melhor ator protagonista, com um empate entre os atores Emílio de Mello e Fernando Eiras. Beth Goulart conseguiu trazer aos palcos uma Clarice com surpreendente semelhança física e com um falar incrivelmente parecido com o da escritora, que apesar de ter sido criada no Brasil, falava com um sotaque que muitos confundiam com 'russo' ou 'francês', mas que na verdade era um sotaque do nordeste (Recife) que falado 'meio' cantado e influenciado pela lingua presa da escritora confundia o publico que achava se tratar de um sotaque estrangeiro.




(Vídeo: "SIMPLESMENTE EU, CLARICE LISPECTOR")


Terceiro espetáculo solo da atriz, em "SIMPLESMENTE EU; CLARICE LISPECTOR", Beth interpreta 04 mulheres personagens extraidos de cartas, depoimentos, entrevistas e pensamentos de Clarice, que contam um pouco da personalidade forte da escritora.
Segundo Beth: "O espetáculo todo é como se fosse uma grande folha em branco a ser escrita por esses personagens, pelos movimentos, pelas ações, pelos sentimentos, pela luz".
Beth Goulart, extremamente elogiado pelo espetáculo, trouxe uma interpretação impecável de uma Clarice que se mostra viva e presente, com um olhar intenso, questionador, hipnotizante.
Infelizmente o espetáculo não está mais em cartaz, mesmo não estando fiquei muito impressionado com a qualidade e decidi falar sobre ele, de qualquer forma, agora nos resta torcer para que 2012 nos traga novamente a oportunidade de assistí-lo.

Feliz 2012




(Vídeo: "FELICIDADE" - Marcelo Jeneci)


Olá caros amigos e leitores do Blog PALCO TEATRAL, já são 00:25:00 horas da manhã do ultimo dia do ano de 2011, um ano de perdas para o teatro, para o cinema e para as comunicações, inclusive o carnaval. Sairam de cena para entrar para a história nomes como o do ator Ítalo Rossi, John Herbert e do sempre carismático ator Sérgio Britto. Faleu também aquela que já foi uma das mulheres mais lindas de hollywood, a dama Elizabeth Taylor, e um dos nomes mais importantes do carnaval brasileiro, o do carnavalesco Joãozinho Trinta. Apesar do ano de perdas, muitas conquistas aconteceram, muitos projetos, muitas realizações, vimos artistas ousarem á frente de projetos pessoais e de interpretações, dentre eles destaco dois; a atuação de Marjorie Estiano como uma prostituta em "O Inverno da Luz Vermelha" e a montagem de "Filha, Mãe, Avó e Puta", da atriz Alexia Dechamps, que conta a história da ex-prostituta, fundadora da "Daspu", além dos diversos musicais montados este ano.
Muitas outras coisas figuraram no mundo teatral e televisivo; houveram denuncias de teste do sofá contra um diretor famoso, além de surpresas como a atuação de Rodrigo Sant'anna e Thalita Carauta, que alegraram nossas noites de sabado com os personagens "Valéria e Janete" do Zorra Total.
Gostaria de deixar um grande abraço a todos, e lhes desejar um feliz 2012, cheio de cultura, de projetos novos, saúde e realizações, patrocinios, e publico! Fiquem todos com DEUS, e muita Merddddddaaaaaaaaaaaa!!! Que 2012 seja inesquecivel, tanto quanto esse ano de 2011!